O que é o MED
O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é a ferramenta criada pelo Banco Central dentro das regras do Pix para tentar recuperar valores transferidos em caso de fundada suspeita de fraude ou de falha operacional. Ele não serve para arrependimento de compra nem para desacordo comercial. Pelo MED, o banco de quem pagou comunica o banco de quem recebeu, que analisa a notificação e, se aceitá-la, bloqueia e devolve os valores que ainda estiverem na conta recebedora. Desde 1º de outubro de 2025, os aplicativos de Pix passaram a ter de oferecer a contestação por autoatendimento, segundo o Banco Central.
O MED não é um favor do banco: é um procedimento regulado, que os bancos participantes do Pix são obrigados a seguir. Quando o cliente relata uma fraude, o banco deve registrar a contestação e notificar o banco recebedor, que analisa o caso e pode bloquear os valores. O cliente tem direito a saber o andamento e o resultado, e a resposta deve ser guardada.
Como pedir, na prática
- Fale com o seu banco imediatamente, pelo aplicativo, pelo SAC ou pela ouvidoria, informe que foi vítima de golpe e peça a devolução do Pix. Não é preciso saber o nome técnico do mecanismo.
- Anote o número do protocolo, a data e o horário do pedido.
- Registre o boletim de ocorrência. Em São Paulo, a Delegacia Eletrônica da Polícia Civil aceita fraude e estelionato pela internet para fatos ocorridos no estado.
- Guarde o comprovante do Pix, a chave e o nome do recebedor, e as conversas com o golpista.
- Acompanhe a resposta e guarde a decisão do banco por escrito.
Se o golpe aconteceu fora do horário comercial, não espere o dia seguinte. Desde outubro de 2025, os aplicativos têm o botão de contestação do MED, e o pedido pode ser registrado por ali, sem esperar o horário da agência. Faça o registro de imediato e anote o protocolo; o contato com a agência pode vir depois, como reforço.
Por que a rapidez decide
O MED devolve o que encontra de saldo. Golpistas costumam pulverizar os valores em várias contas em poucos minutos, e quando a conta que recebeu o Pix já está zerada o pedido pode ser rejeitado por falta de saldo. Para enfrentar isso, o Banco Central aperfeiçoou o mecanismo (Resolução BCB 493/2025), permitindo bloquear e devolver à vítima também os saldos de contas que receberam recursos das contas usadas no golpe. Ainda assim, quanto mais cedo o pedido, maior a chance de haver o que bloquear. Pelo guia do Banco Central, a contestação pelo MED deve ser feita em até 80 dias da transação. O MED é uma tentativa importante, mas não é a única via.
Quando o MED não resolve
Se o MED não encontrar saldo, ou se o banco negar o pedido, a vítima ainda pode discutir a responsabilidade do banco pela fraude. A Súmula 479 do STJ trata da responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fortuito interno relativo a fraudes de terceiros em operações bancárias, e a análise passa pela falha no serviço, como a não identificação de transações incompatíveis com o perfil do cliente. Também pode ser discutida a responsabilidade do banco que abriu e manteve a conta usada pelo golpista. A reclamação no Banco Central, pelo Meu BC ou pelo telefone 145, gera registro, embora o Banco Central informe que não impõe reembolso ao consumidor.
Também vale registrar a reclamação no consumidor.gov.br quando o banco está cadastrado na plataforma, porque a resposta fica registrada por escrito. A reclamação no Banco Central e no consumidor.gov.br não substitui a ação, mas reúne, num só lugar, a prova de que o banco foi avisado e de como respondeu.
O que levar para a análise
- O comprovante de cada Pix enviado.
- O protocolo do pedido de devolução e a resposta do banco.
- O boletim de ocorrência.
- Prints das conversas, com data e hora, e o número ou perfil usado pelo golpista.
- O extrato dos meses anteriores, que mostra o seu padrão de movimentação.
O papel do advogado nessa fase
Nas primeiras horas, o que mais importa é o pedido ao banco e o boletim de ocorrência, e isso pode e deve ser feito pela própria vítima, sem esperar ninguém. O trabalho de um advogado para golpe do Pix em Tupã começa logo depois: conferir se o pedido foi feito pelo canal certo, cobrar a resposta, analisar o fundamento da recusa e, se for o caso, preparar a ação. Quem nos procura ainda no dia do golpe recebe primeiro a orientação sobre essas providências urgentes.
Conteúdo informativo, que não substitui a análise individual do caso. Cada situação depende dos documentos e dos fatos.